Trégua no preço dos combustíveis seria possível se Bolsonaro parasse de criar crises institucionais, avalia Miriam Leitão

16 de maio de 2022 15:12
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Categorias: Notícias, Política

Adolfo Sachsida em viagem com o presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução / Adolfo Sachsida / Facebook

Pedido de estudo sobre privatização da Petrobras é blefe do governo, avalia jornalista: “Faltam menos de cinco meses para as eleições. Qualquer programa de privatização sério tem que passar por várias etapas.”

Na mesma semana em que a inflação – puxada pela alta do preço dos combustíveis – chegou ao maior patamar no período de 1 ano desde 2003, o novo ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro entregou a Paulo Guedes um pedido de estudo sobre privatização da Petrobras.

O anúncio foi visto por aliados de Bolsonaro como uma “jogada de alto risco” em ano eleitoral. Para a jornalista Miriam Leitão, trata-se de um blefe do governo.

“Faltam menos de cinco meses para as eleições. Não tem menor possibilidade. Qualquer programa de privatização sério tem que passar por várias etapas. Os processos de avaliação e modelagem são muito demorados. Foi assim com as privatizações sérias feitas no Brasil”, avalia Miriam Leitão, citando como exemplo o processo de venda da Telecom, na década de 1990.

“O ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e o ministro Paulo Guedes sabem que estão blefando. Eles fazem isso exatamente para usar como estratégia de palanque”, afirma Miriam.

O maior acionista da Petrobras é o governo, que recebe receitas que ele pode investir em tudo que considerar importante. Pode usar isso para ele investir em educação, saúde…Essa é a forma de a empresa contribuir para a sociedade. Não é produzindo um preço artificial e e subsidiando combustível fóssil.”

Em entrevista ao episódio #706 do podcast O Assunto, Miriam defende que uma possível trégua na crise dos combustíveis só aconteceria se o governo evitasse o aumento do chamado “custo Brasil” no mercado, o que contribui para a desvalorização da moeda.

“Uma coisa importante que o governo poderia fazer é parar de criar crises institucionais. As crises, elas aumentam o custo Brasil, então isso além de elevar o dólar, mantém o dólar pressionado. O dólar é um dos componentes dos preços dos combustíveis. Se ele [Bolsonaro] respeitasse a Constituição, se ele passasse um dia sem criar uma crise, isso ajudaria…Empresas investem mais, poderia ter mais interesse de importação….Tudo fluiria melhor. O custo Brasil fluiria melhor.”

“Bolsonaro é inflacionário. Ele cria inflação por causa dessas crises políticas institucionais”, resume Miriam Leitão.