Rombo nas contas externas soma US$ 15,7 bilhões no 1º bimestre, o maior para o período em 5 anos

25 de março de 2020 15:54
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Categorias: Economia, Notícias

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Investimento direto no país, por sua vez, totaliza US$ 11,61 bilhões no bimestre e não é suficiente para ‘financiar’ o déficit externo. Números foram divulgados nesta quarta (25) pelo Banco Central.

As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 15,789 bilhões no primeiro bimestre deste ano, com aumento de 27,5% na comparação com o mesmo mês de 2019, informou o Banco Central nesta quarta-feira (25). Foi o maior rombo para o período desde 2015, ou seja, em cinco anos.

O déficit em transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

De acordo com o BC, a piora no rombo das contas externas na parcial deste ano se deve, principalmente, à piora do saldo da balança comercial, que registrou pequeno déficit no primeiro bimestre deste ano, contra superávit de US$ 3,7 bilhões no mesmo período de 2019. As contas de serviços e rendas registraram estabilidade nos resultados negativos nesse período.

  • Em todo ano passado, o déficit das contas externas do Brasil subiu 22%, para US$ 50,762 bilhões.
  • Para todo ano de 2020, a expectativa do Banco Central é de piora no déficit, que chegaria a US$ 57,7 bilhões.

Investimento estrangeiro

O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 11,615 bilhões no primeiro bimestre deste ano, com queda de 14% frente ao patamar do mesmo mês de 2019 (US$ 13,510 bilhões).

Com isso, os investimentos estrangeiros não foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no acumulado deste ano (US$ 15,789 bilhões).

Quando o déficit não é “coberto” pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

  • Em todo ano passado, os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 78,559 bilhões em 2019, com pequena alta frente ao ano anterior.
  • Para 2020, o Banco Central estima um ingresso de US$ 80 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.