Recente evolução do Euro e os riscos à fruticultura

4 de agosto de 2022 17:10
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Categorias: Agronegócio, Notícias

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O atual momento de desvalorização do Euro

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A cadeia de frutas no Vale do São Francisco e a UE A região do Vale do São Francisco é um grande expoente no cultivo e exportação de frutas com cerca de 70% das vendas externas desses produtos destinados ao continente europeu. Dessa forma, quaisquer riscos políticos, logísticos e econômicos na Europa podem afetar as cotações como também gerar interrupções e/ou diminuições do fluxo de comercialização da cadeia frutícola da região e de outros polos de produção de frutas.

O atual momento de desvalorização do Euro

Desde junho, o Euro vem perdendo força em relação ao Dólar, movimento que em grande medida é explicado pelo risco de um corte prolongado no fluxo de gás natural da Rússia para a Europa, elevando as chances de um racionamento na região e/ou impactos econômicos na atividade. A Rússia já vinha diminuindo o fluxo de gás para a Alemanha em um de seus principais gasodutos e, mais recentemente, uma manutenção programada levou este fluxo a zero, aumentando as incertezas sobre a possiblidade de sua normalização completa à frente, em meio às tensões elevadas por conta da guerra com a Ucrânia. Na última quinta-feira (21), parte deste fluxo de gás voltou a ser bombeado, mas ainda com capacidade limitada.

A consequência deste evento é a elevação dos preços de gás natural na Europa, representando um choque negativo de oferta para a região. Um dos impactos a serem avaliados é a potencial desaceleração da atividade econômica (tal risco se acentuaria em caso de racionamento), o que poderia levar a um cenário em que o Banco Central Europeu tenha que subir menos os juros à frente.

Neste contexto, essa ponderação de riscos de menor crescimento econômico e menor diferencial de juros (em relação à dinâmica ascendente das taxas das Fed Funds nos EUA), contribui para trazer o Euro de volta à paridade em relação ao Dólar, depois de tantos anos. Caso o choque amplo de preços de gás fosse incorporado nas métricas de conta corrente da Europa, os modelos do time de Macroeconomia do Itaú BBA indicam que a taxa cambial poderia alcançar 0,90 Dólar por Euro. Ainda que isso seja um risco de curto prazo, o cenário do time indica que a taxa de câmbio deve alcançar 1,05 Dólares por Euro ao final de 2022, o que representaria uma apreciação da moeda europeia em relação ao dólar até o fim do ano.

Contribui para esta avaliação: (i) a hipótese de normalização do fluxo de gás Russo para a Europa, o que evitaria o cenário de racionamento energético na região; (ii) uma postura mais reativa do Banco Central Europeu no combate às pressões inflacionárias, que pode contribuir para o fortalecimento da moeda à frente.

Provocações à cadeia exportadora de frutas 

Diante desse cenário de incertezas e volatilidade das moedas internacionais, muita atenção deve ser dada à mitigação dos riscos cambiais que no caso da cadeia frutícola se concentra no “descasamento” entre fontes de receitas em Euro e os custos em USD.

Nesse sentido, é importante que o gestor avalie a utilização de ferramentas de gestão que contribuam para controlar esse risco com o objetivo de evitar
perdas relevantes não esperadas.

Relatório Consultoria Agro Itaú BBA