Paiaguás quer ter acesso à ação para decidir sobre “caso Dilmar”

21 de julho de 2021 17:17
Publicado por:
Categorias: Notícias, Política

Foto: Reprodução

Deputado estadual é alvo de uma ação penal por esquema montado no transporte intermunicipal

O governador Mauro Mendes (DEM) quer ter acesso ao teor da denúncia contra o deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (DEM) antes de tomar qualquer providência em relação ao parlamentar, que é o seu líder no Legislativo.

Dilmar e outras 18 pessoas foram denunciados, na terça-feira (20), pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal), no âmbito da Operação Rota Final.

Segundo a denúncia, o grupo tinha como principal objetivo impedir a implantação do novo Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Estado de Mato Grosso.

“[A ação] Não chegou a meu conhecimento. Confesso que às vezes as minhas atribuições e excesso de demanda não me permitem que eu leia todo noticiário. Mas tomarei conhecimento, vou me inteirar um pouco mais, para ver se demanda o Governo fazer ou não alguma coisa”, afirmou Mendes.

A declaração foi dada à imprensa durante coletiva na tarde desta quarta-feira (21), dia em que a denúncia veio à tona.

O governador elogiou e defendeu o correligionário e afirmou que o julgamento deve ser feito no âmbito do Tribunal de Justiça, onde corre a ação penal.

“O que posso dizer sempre é que a relação que temos com Dilmar é muito boa. Ele nunca nos pediu nada que não fosse republicano, atende bem o Governo, trabalha de forma diligente na Assembleia Legislativa”, disse.

“Nessa relação com ele, só tenho elogios. Eu não posso julgá-lo por eventual culpa que está sendo imputada pelo MPE em momentos pretéritos à minha presença como governador. Tem que julgar as pessoas pelas relações que tenho com elas”.

“Quem cabe julgar por outras coisas é o Tribunal de Justiça. Mas tomarei conhecimento para ver se isso traz alguma implicação e vai demandar alguma tomada de decisão”, emendou.

A denúncia ofertada pelo MPE diz respeito a um suposto esquema iniciado na gestão do Silval Barbosa (2010-2014) e seguiu até o governo Pedro Taques (2015-2018).

A Rota Final

A denúncia, que contém 286 laudas, foi apresentada pelo coordenador do Naco Criminal, procurador de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda.

Nela, são narrados crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, impedimento e perturbação à licitação, afastamento de licitantes, e crime contra a economia popular.

Conforme a denúncia, as investigações demonstraram a existência de uma organização criminosa, liderada pelo empresário Éder Pinheiro, dono da Verde Transporte. Ele teve sua prisão preventiva decretada, mas está foragido há mais de dois meses.

O grupo tinha como principal objetivo impedir a implantação do novo Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Estado de Mato Grosso.

Para tanto, conforme a acusação, eles “lançaram mão dos mais variados meios criminosos para inviabilizar a Concorrência Pública nº 01/2017 deflagrada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra)”.

Sem a realização da licitação, empresas ligadas aos envolvidos prosseguiriam a explorar, em caráter precário, inúmeras linhas de transporte intermunicipal, mantendo, dessa forma, o domínio econômico do setor, conforme vinha ocorrendo há várias décadas.

O Ministério Público ainda requereu que, ao final do processo, seja fixado um valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração no montante de R$ 86,6 milhões e, ainda, a perda do cargo, função pública e mandato eletivo eventualmente ocupado pelos denunciados.

Veja a relação dos denunciados:

Éder Augusto Pinheiro (dono da Verde Transporte), Max Willian de Barros Lima (braço-direito do Éder Pinheiro), Júlio César Sales de Lima (presidente da Setromat), Wagner Ávila do Nascimento, José Eduardo Pena, Adriano Medeiros Barbosa, Dilmar Dal Bosco (deputado), Pedro Satélite (ex-deputado), Andrigo Gaspar Wiegert (filho de Pedro Satélite), Glauciane Vargas Wiegert (Esposa de Pedro Satélite), Silval da Cunha Barbosa (ex-governador), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (o Chico Lima, procurador aposentado), Francisco Gomes de Andrade Lima Neto (filho de Chico Lima), Carla Maria Vieira de Andrade Lima (esposa de Chico Lima), Luís Arnaldo Faria de Mello, Idmar Favaretto, Marcos Antônio Pereira, Alessandra Paiva Pinheiro e Cristiane Cordeiro Leite Geraldino.