Loucura presidencial

24 de maio de 2020 15:15
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Enfim, é um covil de más intensões o que se avista na malfada reunião

A liberação da reunião ministerial do dia 22/04 pelo ministro Celso de Mello, revela não apenas os crimes denunciado pelo Sergio Moro cometido pelo presidente, mas a loucura ministerial. Se depender do presidente, todos armados, devem matar prefeitos e governadores.

Ninguém presente na reunião se manifestou a respeito dessa proposta criminosa, imoral, ilegal e inconstitucional, nem o ministro de justiça, nem o da casa civil, nem o da defesa. Se depender do ministro da educação todos deputados, senadores e juízes do STF devem estar presos.

Se depender da Damares todos governadores e prefeitos devem ser presos. Se depender do ministro do meio ambiente, o governo deve aproveitar a pandemia para fazer passar sorrateiramente suas resoluções que privilegiam madeireiros e garimpeiros, e não combater a doença. Nada se diz sobre o que fazer com a pandemia, qual o plano do governo.

Enfim, é um covil de más intensões o que se avista, afora a completa falta de visão do que acontece no país e com os brasileiros. A preocupação é salvar a pele de Bolsonaro e garantir a sua reeleição.

Enquanto o país atravessa a pior crise de saúde de sua história, o presidente está preocupado com sua vida pessoal e da sua família e amigos. Nada se fala sobre os problemas nacionais, na verdade, parece que nem existe pessoas contagiadas e morrendo aos montes, enterros aos milhares e falta de meios para combater a pandemia, afora a crise econômica.

E o que está em jogo não é a segurança pessoal do presidente, ou do país, mas a sua intenção de bisbilhotar seus inimigos políticos, e as demais autoridades que realizam investigações sobre seu filho suspeito de rachadinha.

Todos acreditam que existem complô contra o governo, quando na verdade o que se assistiu é um complô contra ao povo e contra as instituições nacionais. Se pudessem prendiam e matavam a todos os desafetos políticos, que são todos que não rezam na sua cartilha.

O ministro da educação não quer saber de índio, ou melhor odeia, e o ministro do meio ambiente quer fazer passar projetos que os dizimam. O ministro da economia mente sobre suas leituras, sobre seus contatos internacionais e sobre a situação do Brasil no mundo, o país que tem uma moeda podre, que tem menos credibilidade que a moeda da Coréia do norte, pois o real é a moeda que mais se desvalorizou no mundo.

O baixo nível foi tanto, que o ministro do STF teve que censurar algumas manifestações que ofendiam outros povos, em particular a China. Manteve as ofensas contra todos nós e contra os demais entes federados. Já é suficientemente vergonhoso ouvir e ver tal reunião, não se deve prejudicar ainda mais o país, revelando as grosserias contra outros povos. Verdade que essa reunião vai piorar ainda mais a nossa imagem internacional.

Da reunião se pode concluir que Bolsonaro só quer ministro defendendo suas posições pessoais, capachos que realizem suas vontades tresloucadas. O Estado está a seu serviço e deve ser instrumentalizado para espionar os outros, como disse o presidente, deve escutar atrás da porta, para lhe avisar das intenções alheias, para exterminar seus inimigos antes que possam agir.

O fato é que afora o linguajar chulo, ofensivo e vergonhoso das autoridades governamentais, a falta de compostura dos membros da reunião, percebe-se o despreparo de todos presente, que não apenas concordam com as barbaridades pronunciadas pelo presidente, mas não tem nada a oferecer senão mais maldades ainda, corroborando as loucuras presidenciais. São todos cúmplices numa traição aos interesses nacionais e às necessidades populacionais.

Não resta mais dúvidas sobre o despreparo presidencial que se cerca cada vez mais de paus mandados e cúmplices de suas loucuras; não se viu um acordo de cavalheiros, mas um complô de canalhas. O Brasil está caminhando para trás, para o caos, para a miséria econômica e cultural. A tendência é as coisas piorarem cada vez mais, enquanto o Congresso e a Justiça não tomarem uma atitude com os acúmulos de crimes de responsabilidade que nossos governantes federais estão cometendo. O futuro é um abismo. Se a Covid é um problema, problema maior ainda são as autoridades governamentais, mais perigosas e catastróficas que a doença: se não morrermos da doença, morreremos numa guerra civil ou num caos social.

 

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia/UFMT