Humanos Direitos

6 de abril de 2021 10:42
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Dizem que quando perguntavam a Voltaire o que podemos nós fazer em relação aos Direitos Humanos, ele respondia: “Deixem que as pessoas os conheçam”.

Não irei aqui enfrentar a área da Filosofia que se dedica ao estudo das condições de possibilidade do conhecimento, mas digo com Aristóteles (Metafísica) que toda a pessoa tem, naturalmente, o desejo de conhecer.

Há tempos se escreve sobre direitos universais. Na Grécia, Aristóteles (Retórica) disse que havia leis comuns que são admitidas “em todas as partes do orbe terrestre”. Em Roma, Cícero, em frase lapidar, disse que “dizer que se deve respeitar os concidadãos, mas não os estrangeiros é destruir a sociedade comum do gênero humano”.

Sabe-se que os Direitos Humanos são protegidos de forma sólida pelas normas, aceitos pela maioria das nações e há muitas instituições lutando para defendê-los. Entretanto, poucos de nós conhecem a relevância dos Direitos Humanos nas nossas vidas diárias.

Aprender a viver com dignidade não é fácil. Com dignidade consigo e com o outro, mais difícil ainda.

A dignidade de cada homem consiste em ser, essencialmente, uma pessoa … uma pessoa que tem liberdade; pessoa dotada de autoconsciência; gente feita de sociabilidade; pessoa imbuída de historicidade e unicidade existencial.

Os Direitos Humanos exigem de cada pessoa, de todos elas, o compromisso de ser “agente-autor” da sua realização. Os direitos humanos estão em tudo que fazemos, em como tratamos as pessoas e em como nos tratamos. Tem de se realizar em nossas casas, nas nossas vizinhanças, em nossos trabalhos, por onde andamos, por onde estamos.

Deve nascer essencialmente essa responsabilidade, para que cada um de nós se torne um mentor e monitor de Direitos Humanos. Interiorizando e vivenciando os Direitos Humanos como uma forma de vida.

Milhões de pessoas nascerão e morrerão sem nunca saberem que são feitos de direitos humanos; aprender sobre Direitos Humanos, aprender para os Direitos Humanos e aprender através dos Direitos Humanos é o que propomos. Sustentar posturas, subsidiar o desenvolvimento de atitudes e construir sujeitos agentes da história.

Anísio Teixeira ensinou que “o próprio ato de aprender durante muito tempo significou simples memorização; depois seu sentido passou a incluir a compreensão e a expressão do que fora ensinado; por último, envolveu algo mais: ganhar um modo de agir. Só aprendemos quando assimilamos uma coisa de tal jeito que, chegado o momento oportuno, sabemos agir de acordo com o aprendido”.

Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso