Fugindo de rótulos, Michelly diz que ‘revelação’ de pastor a colocou no caminho para a Câmara de Vereadores

22 de novembro de 2020 10:49
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Categorias: Notícias, Política

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Olhar Direto

Michelly Alencar tem 37 anos, é sul-mato-grossense, mas mora em Cuiabá há doze anos. Não gosta de rótulos, mas se identifica como conservadora. É evangélica, casada, mãe de três filhos.

Também não gosta que a identifiquem como a “candidata da primeira-dama”, apesar de ter tido Virgínia Mendes como sua principal cabo eleitoral. É jornalista, e um rosto conhecido por ter trabalhado por muitos anos na televisão. Decidiu entrar na política por não se sentir representada, e afirma que vai lutar principalmente por esporte, pelo social e pelas pautas da mulher. Apesar disso, também não gosta de se identificar como feminista, “se feminista for ser radical, não sou”.

A vereadora eleita por Cuiabá deu uma entrevista ao Olhar Direto na última semana, contando um pouco de sua trajetória e sobre como pretende levar os próximos quatro anos na Câmara de Vereadores. Junto à Edna Sampaio, que também foi eleita neste pleito, ela se torna uma das poucas mulheres em um reduto historicamente masculino. Em toda a  história, até hoje, Cuiabá só teve nove vereadoras. Na gestão atual, não há nenhuma. A partir de janeiro de 2021, haverá duas, dentre 23 homens.

Leia a entrevista na íntegra:

Olhar Direto – Porque você decidiu entrar para a política, aceitar essa empreitada?
Michelly – A decisão de entrar para a política veio motivada pela falta de representatividade feminina. Foi olhar para a política e ver que eu não me sentia representada por quem estava lá, pela forma da política, de se fazer, e principalmente por não ter nenhuma mulher. Então 25 anos sem nenhuma mulher, fazendo uma política que não me identificava. E eu decidi que eu entraria porque eu ache que chegou um tempo… a gente sempre fala, poxa, não tem mulher, não tem mulher, mas porque que não tem mulher? Porque nós não nos propomos a viver esse processo. É muito desafiador para uma mulher encarar um pleito eleitoral, entendeu? A maioria das mulheres que vai para compor chapa é para ficar com o nome, porque hoje o partido é obrigado a colocar. Mas quem vai para a luta mesmo são poucas que se propõem a isso. E eu falei, poxa, se eu não me sinto representada, se não tem uma mulher lá, então chegou a hora de, ao invés de ficar reclamando… é muito fácil ficar na arquibancada reclamando. Agora, se propor a ir… e eu me via como entrando num jogo de futebol americano. De levar porrada mesmo, de cair, de ter que levantar, de o povo passar por cima, e eu falei, mas eu vou me levantar e eu vou ir para cima. (…)

OD – Você já era filiada ao DEM?
M – Não.

OD – E porque a opção pelo DEM?
– Na verdade eu recebi vários convites. É muito engraçado… às vezes as pessoas não acreditam nessas coisas de Deus falar, mas… o Pescuma sempre brincou comigo nas reuniões de pauta, na mesa, ele sempre brincava: Michelly, você tem que ser vereadora. Porque eu sempre fui muito da veia de fazer coisas para ajudar as pessoas, dessa veia social (…) e eu nunca dei atenção, pra mim isso sempre foi brincadeira. E um dia, no meio do ano passado, acho que foi em agosto, veio um pastor de fora na igreja em que eu congrego, que não mora aqui, e terminou o culto, eu fui dar um abraço nele, e eu já o considero quase como pai… já é um senhor. E ai eu abracei e falei ‘obrigada, a palavra foi linda, falou comigo’. Aí ele riu pra mim e falou: ‘está preparada para ser vereadora de Cuiabá?’. Naquele momento eu levei um choque muito grande. Sabe assim, parece que um soco na boca no estomago, que me esfriou… eu falei, ‘não, Deus me livre…’. Aí ele riu, serenamente e falou: ‘mas Deus quer te levantar como essa pessoa’. E eu choquei mais ainda. Eu falei: ‘não faz isso comigo…’ porque eu sei que ele é um homem de Deus, ele é um profeta, e eu falei: ‘não faz isso comigo, por favor… acho que você errou, meu marido está ali’. Porque ele sempre foi mais engajado com a política, eu sempre fui a mais revoltada. E aí terminou, quando todo mundo foi embora ele falou: ‘Não vai embora não que eu quero falar com você’ (…) e ele falou comigo sobre eu pensar sobre a minha vida, porque ele me conhece desde pequenininha… sobre a minha história, de que forma eu poderia contribuir, e eu falei olha, eu não quero, não tenho vontade, não tenho vocação, aí ele só falou assim pra mim: ‘ora e pede para Deus confirmar no seu coração’. (…) Comecei e perguntei, Deus, é isso que o senhor tem pra mim? Um mês depois, eu perguntando todo dia, os convites começaram a aparecer do nada. E eu não tinha contado para ninguém, só para o meu marido, porque eu fiquei com medo de contar e isso gerar alguma coisa, então eu guardei, e aí os convites começaram a aparecer, de vários partidos. E poxa, eu estou aqui há doze anos, nunca ninguém tinha me visto assim. Aí, do nada, chega uma pessoa de fora, fala isso para mim, e os convites começam a aparecer? (…)

Eu perguntei para algumas pessoas que eu confio e que conhecem de política o que eles achavam. (…) Eu perguntei para várias pessoas, e uma delas foi a Virgínia.

OD – Você já era amiga dela?
– Porque eu já era muito amiga dela… entendeu? Há quase dez anos a gente é amiga, eu sempre ajudei ela em algumas ações sociais, e eu pensei, uma pessoa que conhece bastidor como ela, e que também conhece como é estar à frente, vai poder me direcionar, me posicionar com transparência, porque a gente é amiga, então ela não iria mentir para mim. E aí conversamos, e ela falou para mim muitas coisas ruins e muitas coisas boas. Ela falou: ‘jamais sairia candidata, muitas pessoas já me pediram, todas as eleições as pessoas cogitam, mas isso é fato. Jamais vou sair candidata. Mas você tem perfil e eu me sentiria representada por você, eu acho que não só eu, como muitas mulheres’. Aí ela pegou na minha mão e falou assim: ‘eu acredito em você, você vai conseguir’. E naquele momento, aquele ‘eu acredito em você, você vai conseguir’, foi meio que… eu fui pedir direcionamentos mesmo, como é o caminho… porque é uma construção, é sua família em jogo, é sua vida, é você dando entrevista para um monte de gente. E aquilo veio como uma confirmação no meu coração. E ela falou assim: ‘eu não sou filiada a nenhum partido, mas eu quero te fazer o convite. É uma decisão pessoal tua, mas se você aceitar eu queria estar junto com você, eu queria viver isso junto com você e te dar todo o apoio, e aí você tem que vir para o DEM’. Aí eu pensei e depois eu topei, porque é uma pessoa da minha confiança, uma pessoa que eu teria segurança, é a pessoa que eu me sentiria, pela primeira vez, um pouco mais segura. Só que todo mundo fala agora, ah, é a candidata da Virgínia… claro, pela represtatividade de ela ser a primeira-dama do Governo do Estado, mas não foi só ela nesse processo. Convenhamos. Porque o governador apoiou o Roberto França e ele não ganhou. A Janaína apoiou o Luluca e ele não ganhou. Então não é porque ela me apoiou, apenas, que eu ganhei, tem um contexto. Tem um grupo me apoiando, não foi só o apoio dela. Mas foi fundamental.

OD – E esse apoio dela e do governador, então, veio desde o início, desde esse convite?
M –
 O governador se neutralizou. Ele falou para mim, ‘olha, eu não posso te apoiar porque eu sou o governador, tem muitos candidatos no partido, e eu não posso te apoiar porque se não teria que, o mesmo apoio que eu fosse dar para você eu teria que dar para todos os candidatos, mas como a Virgínia é outra pessoa, separado da minha condição de governador, ela pode te apoiar’. E ela abraçou mesmo, com unhas e dentes. Então ele, para não dizer que ele não me apoiou, ele gravou um vídeo, como ele gravou para todos os candidatos, e na minha última reunião ele foi.

OD – E você já tinha uma visão política mais de direita, centro-direita, como é o DEM?
M –
 Eu acho que sim. Ele foi se fortalecendo, né. Ele foi se fortalecendo, mas eu acho que assim, os meus princípios, os valores de vida, minha construção de vida, ela culminou para que eu me identificasse sempre mais com a direita. Eu assim… até ontem dei uma entrevista que a jornalista falou assim, ah, o seu rótulo de extrema conservadora… eu sou contra rótulos, partindo do princípio de ‘ah, é um rótulo disso, um rótulo daquilo’. Eu acho que ninguém tem que rotular ninguém, acho que o ser humano é intenso, é múltiplo, e ainda mais numa representante política, você tem que dialogar com todos, você tem que ter essa abertura, entendeu, então eu não gosto do rótulo. Mas sou conservadora. Hoje eu me considero, é mais claro para mim o meu posicionamento. Porque a partir do momento em que você realmente se coloca no processo político você vai ter que adotar algumas posturas que façam com que as pessoas entendam com clareza o que você pensa. Então para ser claro eu ia ter que adotar um lado, e o meu lado foi a direita.

OD – Você estava falando da representatividade feminina… e agora vão ter duas mulheres na Câmara, você e a Edna, que são duas mulheres, mas são de lados diferentes. Ela é do PT e você é do DEM. Como você acha que vai ser essa sua relação com ela na Câmara, o que vai prevalecer é a representatividade feminina, as pautas que envolvem mulheres, ou você acha que vai ser um embate mais por serem de lados opostos, direita e esquerda?
M –
 Eu já não gosto do rótulo. Todo mundo está me fazendo essa pergunta… porque fica, né? ‘Gente, PT e DEM, duas mulheres depois de tanto tempo, será que vai ter esse embate…?’ Eu, de fato, meu perfil, eu me proponho a entregar o melhor para a população. Então eu acho que quando você fica muito no embate, você gasta suas energias na causa errada. Eu acho que assim, da minha parte eu não tive a oportunidade ainda de conversar com a Edna. Eu conheço ela pelas redes sociais, pela luta dela, ela tem um perfil muito diferente do meu? Sim. Mas eu acho que o objetivo é comum. Ela entrou por um caminho, eu entrei por outro, mas culminou para um objetivo comum, ela quer a representatividade feminina, ela quer que as pessoas sejam… tenham suas vidas melhoradas, ela quer que a população ganhe com essa gestão. Essa é a minha missão, que a população ganhe (…) É muito difícil falar, mas quando você é muito oposição… por exemplo, se o Emanuel ganhar. Não tem como, eu vou ser oposição  porque eu sou contra a corrupção. Se o Abílio ganhar e fizer cagada, eu vou ser contra. Só que quando você fica o tempo todo nesse embate, você gasta todo seu tempo nisso e você fica bloqueado para fazer aquilo que você se propôs a fazer. E eu tenho muitos projetos para serem realizados, eu tenho muita gente que pode ser beneficiada com uma gestão comprometida com o trabalho. Então assim, a gente pode ter pensamentos diferentes, posturas diferentes em determinadas causas, mas o nosso objetivo é comum. Então eu quero crer – né, a gente está começando – que a gente vai lutar junto por aquilo que a gente acredita da mesma forma. Ela no perfil dela, eu no meu, talvez não tenha como fugir de alguns embates, mas eu sempre sou muito do diálogo, eu prefiro viver em paz, em harmonia, até porque eu acho que o processo político é isso, é diálogo, é você viver em harmonia com as pessoas mesmo sabendo que elas são de posicionamentos diferentes. A gente pode ter ali discursos na tribuna e nem por isso eu estou brigada com ela. (…)

OD – Você acabou de falar que se o Emanuel ganhar você vai ser oposição. No caso do Abílio ganhar, você pretende assumir uma postura mais independente ou ser base dele?
M –
 Ontem nós tivemos uma reunião para decidir quem seria nosso apoio, e conversando com várias pessoas que construíram essa base comigo, inclusive a Virgínia, a gente definiu que nós vamos apoiar o Abílio. Não é um apoio pelo Abílio, é um apoio contra o paletó, é um apoio contra a corrupção. Eu tenho muitas pautas que eu não concordo com o Abílio, tem muitas posturas que eu não concordo com ele, mas entre apoiar ele, que eu acho que ainda é inexperiente… eu sou inexperiente. Você já pensou se eu não tivesse a oportunidade de ser vereadora porque eu sou inexperiente? Eu sou uma pessoa extremamente inexperiente, mas extremamente decidida a me aperfeiçoar para abençoar as pessoas. Então ele é inexperiente? É, mas eu acho muito mais fácil você trabalhar com uma pessoa inexperiente e que quer aprender e fazer o melhor, do que uma pessoa experiente e corrupta. Eu passei a minha campanha inteira falando que meu combate seria contra a corrupção, minha campanha foi sem venda de votos, a minha campanha foi sem dinheiro. Todo mundo falava ‘nossa, campanha milionária da Michelly, porque ela tem o apoio da primeira-dama’… nada. Nem um real. Porque ela decidiu comigo fazer uma campanha em que a gente fosse fazer história. Então foi muito intensa, foi diferente desde a campanha. Então eu não posso ter feito toda essa campanha e chegar agora e apoiar o Emanuel. Então assim, se ele for, eu vou ser oposição, claro. Se o Abílio ganhar eu sinto que eu vou ter mais liberdade de trabalhar. Não vou deixar de cumprir o papel, o papel do vereador é fiscalizar, é indicar, é propor… esse papel é meu papel, independente de quem esteja lá. Só que eu sei que se eu tiver um vai ser um pouco mais difícil, se eu tiver o outro, vai ser um pouco mais maleável o trato, né?

OD – A questão do embate do Abílio, no primeiro turno, principalmente com a Gisela, daquela fala dele, e da pecha de ser machista, isso te deu alguma dificuldade de declarar esse apoio ou não?
M –
 Por ser mulher sim, né, obviamente. Tanto que na reunião foi um dos questionamentos. ‘Eu sou mulher, eu luto pela representatividade feminina, e como fica essa situação?’. Só que como eu falei, é muito mais fácil quando você tem um diálogo do que quando você não tem abertura, você já sabe que a pessoa tem aquele posicionamento. Ele se abriu para o diálogo, colocou todos os anseios dele, onde ele errou, onde não errou, se justificou e principalmente se retratou na reunião com a gente. Aí eu falei, bom, então vai ter que se retratar com todas as mulheres… né? E pedi se ele já tinha ido falar com a Gisela… já tinha ido falar com a Gisela, já tinha tido uma conversa, já estava fazendo esse caminho de quem entende. Porque assim, eu acho que todo mundo pode errar. A diferença é: você reconhece seu erro e você está disposto a mudar? Porque assim a gente caminha. Nós somos seres humanos, nós estamos propensos, principalmente vivendo debaixo de pressão, vivendo debaixo de tanta gente esperando que você acerte. E eu estou vivendo isso. É uma pressão e você… é sempre cobrado que você acerte. Ele errou, se retratou, quer mudança, inclusive já foi atrás da Gisela, eles já se alinharam, então assim, não tem porque eu ficar batendo nessa tecla. Então agora bola pra frente.

OD – Falando especificamente da gestão, você vai ter alguma bandeira principal que você quer levantar na Câmara, além do combate à corrupção? Projetos que você quer fazer para alguma área específica?
M –
 Eu trabalhei na minha campanha três principais bandeiras, e essas três principais bandeiras eu quero levar para a minha gestão. Que é a mulher, o social e o esporte. Porque cada um desses, quando eles são bem trabalhados, eles formam essa base de mudança que a gente espera. A representatividade feminina, os projetos voltados para a mulher, para essa voz da mulher que hoje não se reconhece na política e até a gente está… Deus abençoe que a gente desfaça essa construção cultural de que mulher não vota em mulher, mulher não apoia mulher. Aos poucos a gente está desconstruindo isso e construindo uma nova relação com as representatividades femininas. Então isso precisa passar pela política. Eu ouvi até esses dias atrás falando assim, o mundo é tão a cara do homem porque nós temos só políticos homens. A representatividade feminina é muito pequena, então a gente precisa trabalhar isso.

O esporte trabalha com três principais pilares, que é o pilar que todo mundo deseja, a educação, a saúde e o lazer. Tudo isso está alinhado ao esporte. E é um instrumento transformador da base. Toda criança que foi um atleta é um adulto diferente. Mais preparado para os ‘nãos’ da vida, mais disciplinado, mais focado, tem uma identidade mais bem resolvida, enfim. E o social, que é o reflexo do que eu amo, são as pessoas. Eu tenho muito claro dentro de mim, assim, honrar a Deus e abençoar as pessoas. Quando eu falo honrar a Deus é honrar aquilo que a gente acredita que é maior, entendeu? E abençoar as pessoas quer dizer que você tem que entregar, você tem que entregar, seu mandato tem que ter entrega para as pessoas. Então o social para mim fala disso, de todas as políticas que eu quero desenvolver para que aquelas pessoas que eu visitei nos bairros, que talvez se eu não fosse candidata eu nunca iria, eu preciso que eles tenham a sua vida um pouquinho melhor.

OD – Você fala bastante de Deus, inclusive disse que foi o pastor que fez essa revelação de que você seria vereadora. Você pretende levar isso para a sua gestão também, esse seu lado evangélico?
M –
 Com certeza vou levar. Só que vou levar de uma forma equilibrada, ninguém é desequilibrado para achar que uma gestão é feita, né… de uma forma equilibrada porque é isso que eu sou, né? Eu sou isso. A minha vida é conduzida pelos meus princípios, pela minha fé, então eu vou levar sim, porque não tem como distinguir, mas de uma forma equilibrada, de uma forma que não acue ninguém, de uma forma que não deixe as pessoas assim… porque às vezes eu vejo pessoas, em nome de Deus, inclusive na própria Câmara, falando de Deus e tendo atitudes totalmente contrárias àquilo que Deus gostaria que a gente tivesse. Então assim, eu acho que mais do que falar de Deus, é você agir como alguém que tem Deus. Então as minhas atitudes, eu acho que vão falar mais do que o meu próprio discurso.

OD – Você se considera feminista?
M – 
Eu tenho um pouco de trato com essa… é um assunto que, sinceramente, eu tenho um cuidado grande em falar. Porque quando você defende as bandeiras das mulheres, automaticamente as mulheres esperam que você seja feminista. Só que muitas pessoas não entendem o que é ser feminista, e elas… ah, feminista é ser radical? Feminista é o que? Então assim, eu não sou radical, eu não acho que a mulher está acima do homem, então assim, eu não me considero feminista nesse aspecto. Então, ah, você é feminista? Eu sou mulher e defendo as causas das mulheres. Entende? Eu não sou radical porque eu sou evangélica, eu não sou radical porque eu sou conservadora, eu não sou radical porque eu sou mulher, entende? Então eu sou equilibrada em todos esses assuntos, e eu acho, assim, que nunca a gente vai ganhar espaço se a gente ficar subjugando o outro. Então não é porque eu sou mulher que eu tenho que diminui o homem. Mas não é porque ele é homem que ele tem que diminuir o meu papel de mulher. Então assim, eu não sou feminista no sentido radical. Se for isso, eu não sou. Mas eu tenho bem claro qual é me papel na representatividade feminina.

OD – No dia 1º de janeiro, quando você tomar posse, qual vai ser a primeira coisa que você quer fazer na Câmara?
M – 
Eu vou fazer uma transição. Eu já conversei com o Marcelo Bussiki, que é um vereador que eu sempre tive uma imensa admiração, porque foi um cara íntegro, verdadeiro. Bussiki é de poucas palavras, mas tem um trabalho prestado fantástico. Tanto que ele foi a base do Wellaton, do Diego, do Abílio… o Abílio faz esse sucesso todo porque o Marcelo era esse cara que dava esse embasamento, né? Então eu vou fazer uma transição com ele. Para entender, para pegar os projetos, para sentir como vai ser o trâmite. Então assim, eu acho que meu primeiro passo tem que ser um passo seguro, e eu só vou saber depois que eu fizer essa transição. Mas eu acho que assim, hora que eu entrar na Câmara, meu primeiro pezinho direito vai ser: ‘Deus, me guarda e me abençoe, me dê sabedoria.

OD – Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar?
M –
 Eu acho que a política é uma construção de valores, de princípios, ela tem suas bandeiras sim, mas ela… eu quero muito viver a política da essência, sabe? Que leve as pessoas a serem representadas. Eu quero que as pessoas voltem, e é um sonho. Eu sei que ele não vai acontecer em um mandato. Eu sei que ele não vai ser realizado em quatro anos, mas eu quero fazer parte, eu quero ser essa semente que vai construir essa nova história, que vai fazer as pessoas voltarem a ter alegria nos seus representantes.

OD – Mas você pretende continuar então? Como vereadora, ou tem outras pretensões no futuro?
M –
 Pode ser que sim, mas essa construção não precisa ser só minha. Pode ser que futuramente… eu acho que assim, a gente tem que viver cada etapa. Até a Bíblia fala, “tudo tem seu tempo debaixo do céu”. Meu tempo hoje é como vereadora. Eu quero ser a semente na Câmara. Talvez eu não colha. Pode ser outra pessoa que vai colher, outra pessoa que vai vir e semear mais um pouco, outra pessoa que vai regar, mas eu quero ter essa semente que é… tem um versículo que fala assim, “quando o justo governa, o povo se alegra, quando o ímpio governa, o povo geme”. Eu vejo as pessoas tão desmotivadas, tão entristecidas com a política… e eu sou essa pessoa. Eu estava muito entristecida, e chateada, e brava, e revoltada. E isso mexeu comigo. Então se eu tiver pessoas que realmente vão governar com representatividade, honrando o que eles se proporem a fazer… eu não me comprometi com aquilo que eu não fosse lutar para conseguir, que não fossem, realmente, propostas aplicáveis. Mas então eu quero que as pessoas votem e elas não esqueçam em quem elas votaram. Em todas as reuniões eu perguntava, vocês  lembram qual foi o vereador que vocês votaram? Ninguém… mas porque? Porque não tem o contato com esse candidato que sumiu os quatro anos, que não levou nenhuma das pautas que se propôs, e que deixou cair no esquecimento. Eu quero que as pessoas lembrem que elas votaram em mim e que está sendo bom, e eu realmente estou sendo essa voz, e que eu estou me esforçando de todo o coração. Eu quero que as pessoas entendam que trabalhar, pra mim, por elas, é a minha prioridade.

OD – Mas você vai manter esse contato com a população também?
M –
 Vou. Claro. Inclusive uma das minhas propostas é ter esse canal, a gente vai desenvolver, agora vou atrás de como faz isso, mas desenvolver um aplicativo do canal direto com a população, porque às vezes as pessoas não vão no meu gabinete, mas querem falar comigo. Quer falar, olha, meu bairro está precisando disso, olha, aqui a situação é essa… e a gente vai receber todas as demandas e eles vão ter esse canal direto. E acho que o mandato não é só dentro do gabinete, principalmente é na ponta, lá onde a gente tem que chegar.