“Emanuel tenta a todo custo dizer que é liderança”, diz Janaina ao defender saída de prefeito da vida pública

13 de janeiro de 2021 16:00
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Categorias: Notícias, Política

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Olhar Direto

Em mais um capitulo da novela MDB, a deputada estadual Janaina Riva afirma que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) tem tentado forçar uma imagem de liderança política que não tem no partido, nem em Mato Grosso. A emedebista avalia que a reeleição do gestor no segundo turno por apenas 6 mil votos de vantagem não significou um apoio popular dos cuiabanos, mas um posicionamento contrário ao adversário Abílio Júnior (Podemos).

“O Emanuel vem tentando a todo custo dizer que é uma liderança. As cidades do interior não entenderam como ele se tornou prefeito de Cuiabá. Só ele não entendeu como as pessoas não entenderam como ele voltou a ser prefeito. Uma diferença de 6 mil votos na qual acha mostrar que as pessoas superaram o caso paletó. Não entendeu que as pessoas votaram nele mesmo com o paletó, pois queriam votar contra o Abílio. A leitura dele sobre a eleição como prefeito é totalmente equivocada. Não foi uma vitória que as pessoas olham e dizem que nasceu uma liderança. Essa sombra ele vai acompanhar o resto da vida. Se eu fosse ele, teria abandonado a vida pública”, disse, em conversa com a imprensa, antes de se reunir com o governador Mauro Mendes, no Palácio Paiaguás, nesta quarta-feira (13).

Sobre o estranhamento com Emanuel, a deputada afirma que chegou a procurá-lo após a sua reeleição, mas que ele se recusou a dialogar. Afirma que o diretório municipal da sigla, antes presidida pelo advogado Francisco Faiad, aliado do prefeito, segue sem comando e que a executiva estadual irá realizar uma votação para a escolha do novo presidente. Ela, que chegou a ser escolhida pelo presidente regional, deputado Carlos Bezerra, para o cargo, ressalta, no entanto, que a reunião não tem data para ser realizada.

Janaina diz que não há espaço para imposições de Emanuel quanto a quem deve ser o novo presidente municipal da legenda e lembra lideranças políticas que também se revoltaram com o MDB, mas acabaram deixando a sigla.

“Essa conversa do Emanuel está sendo muito mal recebida na executiva, ninguém aceita imposição. O MDB nunca funcionou assim. No histórico do partido, quando Dante (de Oliveira) passou pela sigla, Zé Carlos do Pátio (…) o partido já teve diversas desavenças com lideranças muito consolidadas e a sigla permaneceu ilesa e quem acabou saindo foi as lideranças. Claro que a gente respeita Emanuel, pois é o prefeito da Capital. É natural que o diretório fique com o prefeito, aqui é uma situação atípica, em que temos um prefeito em tese emedebista, mas seu grupo político não é do MDB, é do PTB, PV (…) O MDB não se sente o partido do Emanuel”, declarou, a apontar que o prefeito está mais focado na reeleição do filho, o deputado Emanuelzinho, que é do PTB.

Vaquinha de presépio

A deputada ainda rebateu a declaração de Emanuel sobre a autorização dada pela Assembleia Legislativa para que o governador Mauro Mendes (DEM) concretize a troca do VLT pelo BRT. Com o apoio dos quatro deputados emedebistas (Janaina, Dr. João, Thiago Silva e Romoaldo Júnior), o prefeito os chamou de “vaquinha de presépio” do democrata. Ela garante que não leva em consideração tal opinião e lembra que o prefeito, enquanto deputado estadual, era da base do ex-governador Silval Barbosa e foi filmado colocando maços de dinheiro no paletó.

“Os tempos são outros, hoje não tem mais negociata. A defesa do VLT, infelizmente, é defender a corrupção. Meu pai (ex-presidente da Assembleia, José Riva) foi um dos que delatou os esquemas do VLT e eu não me sinto confortável pra apoiar um modal nas condições que o VLT está hoje. Se ele quer dar opinião sobre uma decisão da Assembleia está errado, ele tem que ser deputado estadual”, completou.

Por fim, Janaina afirma que o posicionamento de Emanuel é uma tentativa de enfraquecer o MDB e a relação da legenda com o governador.

“Tenho sentido muita raiva, mágoa e angústia nas falas do Emanuel. Por isso tenho falado que o melhor caminho para ele é buscar uma nova sigla partidária. Tem falado que é sondado, acho que ele pode escolher um grande partido, afinal é um prefeito de Cuiabá. Mas essa liderança que ele quer impor dentro do MDB ele não consegue. Você não se diz uma liderança, você se consolida quanto uma liderança”, pontuou.