Desenvolvimento integrado na região do Real do Trem de Guerra

5 de agosto de 2022 10:51
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Foto: Divulgação

O Real Trem de Guerra foi criado apenas 10 anos após a vinda da família Real
para o Brasil, por Carta Régia de Dom João VI em 1818 e servia como
estabelecimento militar para conserto e fabricação de armas. Sua construção
teve início no ano seguinte e concluído em 1832. Porém, já em 1831, por
determinação legal, foi indicado a servir como Arsenal de Guerra da Província
de Mato Grosso. A edificação é tombada como patrimônio histórico estadual,
pela Portaria n. 61 de 1983. Em 1989 foi adquirido pelo Sistema Fecomércio /
Sesc / Senac – MT e atualmente no local funciona o Sesc Arsenal, um dos mais
importantes equipamentos culturais de Mato Grosso.

Em frente a esse equipamento militar havia uma ampla área livre,
possivelmente para ser usada nas formações e demonstrações militares, a qual
recebeu posteriormente a denominação de Praça Benjamin Constant.

Em frente, e do outro lado da grande área, foi construída a Cadeia Pública,
entre os anos 1858 e 1862. A antiga funcionava no entorno da atual Praça da
República e não oferecia mais segurança. E assim foi se estabelecendo nova
centralidade urbana, entre o centro da cidade e o antigo Distrito Dom Pedro II,
atual região do Porto. Atualmente o prédio, apesar de tombado pela Portaria n.
55/1983, está abandonado. Ali funcionou por um longo período o Centro de
Reabilitação Dom Aquino Correa. Ao lado desse há outra edificação
centenária, porém não consegui precisar sua utilização original.

Já em meados do sec. XX, quando na Presidência da República o cuiabano
General Eurico Gaspar Dutra (jan. 1946 a jan. 1951) foi construído o Estádio
que prestou homenagem ao Presidente, denominado popularmente de
Dutrinha, inaugurado em 1952, reformado e entregue a população em 2022. O

Estádio ocupou parte da Praça Benjamim Constante, restando uma área livre
utilizada extraoficialmente como estacionamento privado.

Ao lado do Dutrinha já havia o Grêmio Esportivo e Recreativo Antonio João,
declarado de utilidade pública estadual em 1953 sendo a área adquirida por
doação municipal em 1957, ao lado do então Ginásio Brasil, atualmente sedia o
Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. Na outra face havia a vila militar,
conjunto residencial destinado a esses e seus familiares, demolido dias atrás
pela nova proprietária da área. Acredito que a construção da vila seja
contemporânea ao estádio. Há ainda na região diversas edificações de
relevante expressão arquitetônica que têm sido refutadas pela cidade.

A explicação referente a ocupação dessa região objetiva apresentar uma
proposta para esse importante conjunto arquitetônico. Tal proposta foi
concebida por ocasião dos Projetos para a Copa de 2014, pelo arquiteto
Ademar Poppi sob orientação do também arquiteto José Antonio Lemos. Trata
da integração do conjunto Sesc Arsenal, Dutrinha e Cadeia Pública com a
construção de uma grande Praça frente ao Sesc Arsenal com estacionamento
em piso inferior. O estacionamento poderia ser concedido a iniciativa privada
tendo como contrapartida a construção deste e da praça. Tal praça, além de
proporcionar maior qualidade urbana àquele local árido, permitiria a apreciação
do belo Arsenal de Guerra, sem eliminar as tão necessárias vagas de
estacionamento.

E o mais interessante seria aproveitar o potencial da região para transformá-la
em uma grande área de interesse turístico / cultural com a requalificação e
promoção de empreendimentos comerciais no seu entorno. Valorizando assim
tão importante espaço urbano que, excluindo o Sesc Arsenal e o Dutrinha em
dias de jogo, tem sido muito desvalorizado urbanisticamente.

 

Jandira Maria Pedrollo, arquiteta e urbanista. [email protected]