CPI da Covid liga empresário cuiabano a esquema de lavagem de dinheiro

26 de setembro de 2021 09:36
Publicado por:
Categorias: Notícias, Política

Foto: Divulgação

A empresa envolvida é a Primarcial Holding e Participações, situada em Rondonópolis

logomarca

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia identificou a suposta participação de uma empresa de Mato Grosso em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa Primarcial Holding e Participações Ltda. De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Primarcial pagou R$ 861 mil em 25 créditos diferentes a empresa LP de Oliveira Eirelli, com sede em Rondonópolis.

O proprietário da Primacial é o cuiabano Danilo Trento, que também é diretor institucional da Precisa Medicamentos – empresa que representou a indiana Bharat Biotech no contrato para compra dos imunizantes Covaxin para o Ministério da Saúde. A suspeita da CPI é que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), tenha interferido junto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para destinar a

compra dos imunizantes. Mais cara entre todas as vacinas analisadas pelo governo federal, a indiana Covaxin foi negociada ao preço de US$ 15 a dose, totalizando R$ 1,6 bilhão, para 20 milhões de doses.

Os senadores apresentaram fluxogramas de diversas empresas de Francisco Maximiano, dono da Precisa, e de Danilo Brendt Trento, que fariam transferências entre si, apontando possível esquema de lavagem de dinheiro. Uma delas é a LP de Oliveira.

A empresa rondonopolitana pertence a Lucas Pereira de Oliveira e foi criada em 2016, com nome fantasia de Imobiliária Ciríaco. Danilo Trento também admitiu aos senadores conhecer Marcos Tolentino da Silva, dono do FIB Bank, instituição que teria avalizado a contratação da Precisa Medicamentos pelo governo. O FIB Bank apresentou uma garantia bilionária através de dois terrenos localizados em São Paulo e no Paraná. Um dos terrenos não existe e o outro está em nome de terceiros, segundo a CPI.

Trento e Tolentino são conhecidos da alta sociedade mato-grossense. O dono do FIB Bank é delator da Operação Ararath e já confessou ter participado do esquema da compra de vaga do conselheiro Sérgio Ricardo no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE -MT) por R$ 4 milhões. A vaga foi comprada do ex-conselheiro Alencar Soares. Já Danilo Brendt Trento é filho de Arlindo Trento Júnior, que foi dono do antigo Trento Jr Supermercados, localizado em Cuiabá.

Lavagem de dinheiro  

Garantindo-se de um habeas corpus para não responder a maior parte das perguntas a ele direcionadas, Trento calouse sobre outras empresas em que teria atuação, se é remunerado ou tem ganhos societários, sobre sua participação na 6M Participações, assim como a Precisa, também de propriedade de Francisco Maximiano.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) constatou que a Primarcial fica no mesmo endereço de outras empresas de Francisco Maximiano, dono da Precisa: na Av. Brigadeiro Fernandes Lima, no bairro Jardim Paulistano, em São Paulo. Ao questionar Trento se a Primarcial é usada para adquirir imóveis ou outros bens para empresas de Maximiano -o que também não foi respondido – o relator disse que a CPI tem meios de comprovações documentais.

Também foi apresentado durante o depoimento um fluxograma em que a Primarcial e a empresa Berlim fariam transferências entre si. A Berlim recebeu, segundo Renan, R$ 4,7 milhões e transferiu R$ 5,6 milhões a Primarcial. O mesmo acontecia com a empresa 6M, de Maximiano, que transferiu R$ 15,9 milhões e recebeu R$ 11,7 milhões da Primarcial.

No fluxograma também aparece a LP de Oliveira, de Rondonópolis, com valor menor recebido, de R$ 861 mil. Os senadores querem entender porque a Primarcial fez transferências a uma imboliária. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido utilizado para comprar bens para Francisco Maximiano, dono da Precisa.

Interferências  

Amigo de Maximiano, Trento afirmou que ninguém da empresa procurou o presidente da República, Jair Bolsonaro para que interviesse junto ao primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, para a compra da Covaxin. O depoente negou-se a responder sobre sua relação com a família Bolsonaro.

Disse ainda que nunca houve contato com o deputado Ricardo Barros -líder do governo na Câmara Ricardo Barros (PP-PR) – para tratar de autorização legislativa que possibilitasse a compra da Covaxin. Trento confirmou que, por pelo menos duas vezes, esteve na Índia acompanhado de Francisco Maximiano, Emanuela Medrades, entre outros citados em lista pelo relator.