Após prisões históricas, delegado deixa Defaz em meio denúncia de pressão política de Emanuel

2 de dezembro de 2019 17:00
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Categorias: Notícias, Política

Lindomar Tofoli evitou associar sua saída da delegacia a fatores políticos

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Delegado da PJC (Polícia Judiciária Civil) com um longo currículo no comando de operações famosas — inclusive a primeira prisão do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa —, Lindomar Tofoli não é mais lotado na Defaz (Delegacia Especializada em Crimes Fazendários). Ele foi transferido pela direção da PJC na última semana.

O anúncio vem horas depois do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) citá-lo como um dos dois delegados que estariam sofrendo pressão para incriminá-lo devido ao boletim de ocorrência registrado pela servidora da SMS (Secretaria Municipal de Saúde), Elizabete Maria de Almeida, à Defaz. A mulher ficou famosa depois de ter feito denúncias na Câmara Municipal de Cuiabá de que o prefeito estaria “comprando” votos favoráveis à cassação do vereador Abílio Junior (PSC) numa suposta festa na casa do vereador Juca do Guaraná.

Segundo o prefeito, o outro delegado “que teria a missão de incriminá-lo” é Anderson Veiga. Este, a princípio, continua na Delegacia Fazendária, mas também deve ser transferido por não aceitar uma suposta exigência do Paiaguás sobre os inquéritos que tramitan na unidade.

Segundo Emanuel, Lindomar não teria verificado indícios de provas para abertura de inquérito com base nas denúncias de Abílio. Todavia, de acordo com o prefeito, o diretor geral da PJC, Mário Demerval, teria determinado a abertura de uma devassa sobre o caso.

Em entrevista ao site Midianews, o delegado não revelou os motivos da sua mudança de delegacia e citou que “denúncias são normais”. “Estou saindo da Defaz por determinação da diretoria. Denúncias sempre existem, mas para incriminar tem que ter provas. Não sou eu que estou com o caso. Prefiro, neste momento, ficar quieto”, disse.

No entanto, Lindomar já dá sinais de que pretende esclarecer a situação caso seja convocado a prestar esclarecimentos. ““Não sei ao certo ainda. Ao pegar minha portaria vou verificar isso documentalmente. Só tomei conhecimento verbalmente. Se for intimado para alguma coisa irei me manifestar. No momento, prefiro ficar quieto”, resumiu.

PRESSÃO POLÍTICA

Nesta segunda-feira, o prefeito Emanuel Pinheiro denunciou ao presidente e à vice-presidente da Assembleia legislativa do Estado de Mato Grosso, deputados Eduardo Botelho e Janaína Riva, respectivamente, o possível uso ilegal da máquina do Estado para prejudicá-lo politicamente. A ação, de acordo com a denúncia, envolveria a Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz).

A denúncia cita uma “pressão política” para que a denúncia da servidora Elizabete Almeida contra o prefeito seja investigada. Na última quarta-feira (27), Elizabete esteve na Defaz acusando o prefeito de “comprar a cassaão” do vereador Abílio Junior.

Emanuel disse que recebeu a informação de que no dia do depoimento da servidora, o delegado disse a Elisabete que os elementos da acusação eram frágeis e que não havia indícios suficientes para abrir a investigação.

Entretanto, segundo a denúncia, o diretor geral da Policia Judiciária Civil, Mário Demerval Aravechia de Resende, teria determinado a abertura da investigação e que seria um “pedido pessoal” do governador Mauro Mendes. A suposta pressão teria provocado uma crise interna na Defaz. Na ocasião, mais de um delegado teria para ser transferido de delegacia.

A assessoria da deputada Janaína Riva, vice-presidente da ALMT, confirmou o recebimento da denúncia feita pelo prefeito Emanuel Pinheiro e que a mesma será apresentada para os demais deputados na reunião do Colégio de Lideres, marcada para a tarde desta terça-feira (03).