Driblando o algoritimo

MESSIAS ROCHA

Durante quase toda a história da humanidade o conhecimento foi um privilégio de quem podia pagar mais para adquiri-lo; e ainda assim havia muito pouco espaço para o pensamento livre, critico e inovador visto ter sido a igreja católica durante muito tempo a única possuidora e difusora do conhecimento disponível no mundo – ocidental. Para manter seu poder a igreja sabotava tudo e todos que afrontavam seus dogmas, afinal, conhecimento é poder e a ultima coisa que os possuidores do poder querem é perdê-lo. Mas esse tempo passou. 

A democratização do acesso ao conhecimento começou antes, mas logo depois do surgimento da internet vieram os microcomputadores, depois os notebooks, e mais recente os smartfones, que simplesmente universalizou o acesso à quase tudo que já fora produzido e registrado até hoje. O acesso ao conhecimento se democratizou, mas nem por isso as pessoas ficaram mais sábias, mais criticas ou mais sensatas. Pelo contrário, ao observar os comportamentos ativos, e principalmente reativos, da maioria dos internautas, fica-se com a sensação de que há uma relação direta de horas de acesso à rede e grau de alienação. E o que o algoritmo tem a ver com isso?

Poucas pessoas sabem da existência dos algoritmos e como eles funcionam. Grosso modo pode-se dizer que esses programas fazem a leitura do nosso perfil psicológico, econômico e social através das informaçãoes que disponibilizamos o tempo todo a eles quando fazemos cadastros, buscar e chek in na rede. De posse dessas informações o google e as outras plataformas oferecem produtos e serviços para segmentos e perfis específicos. É por aí que caminha o fim da televisão. Mas voltemos aos usos das informações pessoais de cada navegante. Sabendo das nossas preferencias o google e o youtube direcionam os conteúdos, de modo que tudo que vem depois é apenas a confirmação do que já se viu. Isso faz com que a pessoa fique numa redoma de mais do mesmo sem fim. Nessa hora o leitor se lembra de que realmente quando faz quatro ou cinco pesquisas de um mesmo assunto no youtube este site passa a sugestionar aquele tipo de conteúdo para o resto da vida!

Mas ainda que entenda o perigo que isso significa para a formação de uma personalidade mais autônoma, considerando a necessidade de se manter conectado, uma duvida paira sobre a mente inquieta: o que fazer?!

Milton Santos foi um geografo brasileiro que chegou a ganhar o nobel de geografia dizia que precisamos ter “ambição do universal”. Isso significa que mesmo não podendo apreender tudo que se tem pra apreender, devemos ambicionar aprender sobre tudo. Ao supor o que ele diria hoje sobre a melhor forma de agir sobre/na internet, imagino que Milton Santos talvez para fraseasse Platão e dissesse que devemos tomar cuidado para nossas ferramentas não se tornar nossos senhores. E se esse que vos escreve pudesse sugerir uma alternativa para driblar os esquemas fechados de conteúdos e ideias prontas, aconselharia a busca constante por fontes que apresentam perspectivas diferentes daquelas que já estão acostumados. Claro, sim eu sei, é desconfortável e dói, mas além de não enlouquecer ninguém, isso liberta todo espirito que se arrisca!

Messias Rocha.

Investigador de Polícia em Nova Mutum. PCJ – MT.

Filiado ao Partido Democrático Trabalhista – PDT.  

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